O Google decide o que o cliente lê e o decide quando ele volta
Créditos: Imagem gerada por IA – Grok

O Google decide o que o cliente lê e o Meta decide quando ele volta

O Google está testando resumos de IA em anúncios de busca, e isso tira parte do controle da copy das mãos de quem paga a campanha.

Julho começou com um daqueles lançamentos que fazem quem roda mídia parar e reler duas vezes. O Google está testando resumos gerados por IA logo abaixo dos anúncios de busca, e isso muda uma peça que até agora era território exclusivo do anunciante, o texto que aparece para o usuário. No mesmo período, o Meta simplificou o caminho entre o clique e o agendamento em Lead Ads, e o Google reforçou o Demand Gen com sugestões automáticas de criativo. Três movimentos, direções distintas, mas o mesmo pano de fundo. As plataformas estão cada vez mais dispostas a interferir em partes da campanha que antes eram só do anunciante.

O texto do seu anúncio pode não ser mais só seu

Um teste começou a aparecer nos resultados de busca do Google. Logo abaixo da descrição do anúncio, surge um resumo gerado por IA, com um aviso de que a resposta “pode conter erros” e recomendação para o usuário conferir por conta própria.

Quem roda campanha sabe o peso que cada palavra do anúncio carrega. Título, descrição e extensões passam por testes, ajustes finos, aprovações internas. Agora, o Google pode estar colocando um resumo próprio ao lado desse trabalho todo, sem o anunciante ter escrito uma linha dele.

Ainda não há confirmação oficial do Google sobre o alcance do teste. Foi flagrado por um profissional de mídia nas redes e reportado pela imprensa especializada, o que já diz algo. Se o Google não anunciou, é sinal de que ainda está testando o quanto o mercado vai reagir.

O ponto de atenção aqui não é só estético. Se esse resumo passa a orientar a decisão de clique antes mesmo do usuário ler a copy do anunciante, o controle sobre a mensagem final começa a sair das mãos de quem paga pelo anúncio. Vale acompanhar de perto contas que rodam campanhas de busca com mensagens muito específicas ou regulamentadas, porque um resumo automático mal calibrado pode gerar ruído justamente onde a precisão da comunicação importa mais.

O Meta encurtou a distância entre o formulário e a agenda cheia

Enquanto o Google mexe no texto do anúncio, o Meta foi atrás de um problema mais prático. Quem trabalha com geração de leads para negócios de serviço conhece a dor. O usuário preenche o formulário, some, e quando alguém da equipe entra em contato horas depois, o interesse já esfriou.

A nova função de agendamento integrado resolve exatamente essa lacuna. Depois que a pessoa preenche o Lead Ad, ela já cai direto na tela de marcação de horário, sem sair do fluxo do anúncio. A configuração não pede código. Basta colar o link de agendamento, escolher “marcar horário” como botão de ação e publicar. O sistema reconhece a ferramenta de calendário automaticamente.

Por enquanto funciona com Calendly e HighLevel, com o HubSpot entrando em agosto. E o recurso, pelo menos por ora, é exclusivo do Facebook, com expansão global prevista para outubro.

Na prática, isso resolve um gargalo que boa parte das agências de serviço sente todos os dias. Clínicas, escritórios, prestadores que dependem de agendamento. Quem atende esse tipo de cliente já pode testar o fluxo com antecedência, porque a curva de adoção tende a ser rápida assim que o recurso sair da fase de rollout limitado.

O Google quer opinar no criativo antes mesmo de você subir a campanha

A terceira mudança do período é menos chamativa, mas mexe direto na rotina de quem sobe campanha no Demand Gen. O Google ampliou os formatos de vídeo aceitos, permitindo converter conteúdo vertical em quadrado, vertical em paisagem e quadrado em paisagem dentro da própria ferramenta.

Isso já ajuda quem não tem orçamento para produzir criativo em múltiplos formatos. Mas o movimento mais relevante vem em seguida. O Gemini vai passar a sugerir automaticamente como otimizar imagens e vídeos para o YouTube dentro do fluxo de criação do Demand Gen.

Some a isso mais dados sobre o caminho de conversão, incluindo instalação de app como métrica de resultado, e um lembrete importante. As campanhas de display estão migrando para dentro do Demand Gen, e quem ainda não fez esse movimento por conta própria vai ser migrado automaticamente nos próximos meses.

O algoritmo entender melhor o formato do criativo pode ajudar quem está começando a testar Demand Gen sem uma equipe de produção robusta. Mas quem já tem um processo criativo consolidado precisa ficar de olho para não deixar a sugestão automática engessar o que já funciona.

O que essas três mudanças têm em comum

Google e Meta seguem convergindo para o mesmo lugar. Cada vez mais decisões de campanha, do texto ao criativo, passam a contar com alguma camada de IA opinando no meio do caminho. Isso não é ruim por padrão, mas exige atenção redobrada em contas onde a mensagem, o formato ou a experiência do lead precisam ser controlados com precisão.

A Weecom acompanha esse tipo de mudança de perto justamente para saber quando adotar rápido e quando pisar no freio. Testamos internamente antes de aplicar em campanhas de clientes, porque nem toda novidade de plataforma entrega o mesmo resultado em todo tipo de negócio.


Fontes:
– Google tests AI-generated summaries in Search ads
– Meta launches integrated booking for lead ads
– Google adds AI guidance to Demand Gen campaigns

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